Trilha sugerida: Veludo Violeta - Cida Alves
Essa edição do Fluxo é ilustrada pela artista visual e tatuadora paraibana Wanessa DedoVerde.
Vocês decidiram: O NarrATO entra imediatamente na esteira de produção da Poligonal. O curso completo terá 10 módulos, mas cada um terá conteúdos introdutórios sobre cada tópico que darão as caras no nosso canal no YouTube, com roteiros postados aqui bem antes.
Falando em YouTube…
Se você estava por aqui desde nossa segunda edição soube com antecedência que esse Fluxo aqui é sobre os projetos audiovisuais que a Poligonal está gestando.
Porém… Como o YouTube é o próximo passo e ainda há muitas peças soltas, não explanaremos muito além do que já falamos no Fluxo anterior — que já nominou o NarrATO e o eupistemologia como formatos fixos do coletivo. Tem formato que vai envolver música? Tem formato que vai envolver entrevista? QUEM SABE? Só o tempo dirá… (e os pilotos que validarão cada formato desse 😉).
Mas já que esse é o Fluxo do audiovisual, temos uma obra inédita que está sendo gestada há anos que pode contemplar essa área.
Essa é a primeira vez que esse projeto é anunciado para pessoas de fora da equipe. Essa é a história (em curso) do documentário Violeta: O Voo Infinito da Flor.

Violeta: O Voo Infinito da Flor
O ano era 2019. Os jovens do perfil Parahyba Threads estavam pipocando no finado Twitter com fios espetaculares sobre cultura, arte e história da Paraíba. Depois de uma troca de ideia rápida com eles, me foi passado uma das tantas ótimas threads com a pesquisa da historiadora Kynara. Acontece que eles já estavam procurando um cineasta independente pra dirigir essa thread na telona. E foi assim que o documentário sobre Violeta Formiga caiu no meu colo.
Uma das primeiras coisas que decidi foi o foco do filme. Apesar de ter em seu cerne um ato revoltante de feminicídio, tive pra mim desde o início que o mais grave foi uma voz poética ter sido silenciada quando vários críticos na época apontavam Violeta como uma artista em ascensão meteórica. O foco deveria ser na sua obra. Apesar de ser relevante para alguns, muita gente se forma em Letras na UFPB e nem ouve falar em Violeta. Nosso documentário seria focado em destacar a obra dela que mesmo sendo breve, possui várias pérolas.
A segunda coisa que resolvi foi que — Ah… Não deu tempo. O que resumi no parágrafo anterior, na verdade, durou vários meses. Era 2020, no início da pandemia, e o buzz dos meninos da PT (como os queridos chamavam o Parahyba Threads) foi tão grande que eles conseguiram cada um algo mais interessante — e rentável — pra fazer. Ou pelo menos fui isso que supus. De qualquer forma, o perfil Parahyba Threads foi minguando lentamente. Quando vi que tava cada em seus respectivos corres, perguntei pro grupo se eu podia levar o projeto do filme em frente. Todos concordaram.
Era 2021 agora. Eu não sabia o que fazer com esse projeto. Quer dizer, eu sabia, só estava nítido que não ia conseguir fazer nada sozinho. Mó paia macho falando de pautas feministas e feminicídio. Foi aí que notei que Suellen* Rodrigues se encaixaria perfeitamente no projeto.
A Su é tanta coisa que meio que dá preguiça de falar tudo. Sério, a mulher é formada tanto em Letras, quanto em Jornalismo. Além disso, ela tem mestrado e doutorado em Letras, estudando principalmente documentário estetizado, jornalismo narrativo e literatura. Isso fora as participações em grupos de estudos em cinema e áreas correlatas. Uma máquina! Por sorte na época ela tava aberta a parcerias e nessa janela de tempo consegui puxar sua atenção pra esse projeto que só veio ter cara de documentário depois de sua chegada.
Não é exagero: O filme mudou completamente depois que Su meteu a mão. A pesquisa inicial dela recebeu um reforço que quadruplicou** a quantidade de informações úteis ao roteiro do documentário. Suellen também rastreou e puxou a ficha de potenciais entrevistados. Não quero nunca ser inimigo dela!
O roteiro foi tomando um corpo tão sólido que vislumbrei nossa entrada no JABRE. Pra quem não conhece, o JABRE Laboratório Paraibano para Jovens Roteiristas é… Tudo isso que o nome do laboratório diz. O que seu nome autoexplicativo não explícita é que ele é a ÚNICA experiência do tipo no estado inteiro, desde que o projeto foi iniciado em 2011. Outra informação é que o JABRE é uma ação de interiorização do cinema na Paraíba e, eu sendo um ratinho do asfalto da capital, não consegui entrar na cota da capital nos três primeiros anos que tentei. Bati na trave com Alice que foi pré-selecionado em 2020, aí a pandemia veio e arrombou todos os planejamentos de eventos do planeta. Mas agora era 2022. O pior da pandemia já havia passado. Os anos (e Suellen) fizeram maravilhas ao roteiro. O filme agora tinha seu próprio nome — antes era “Violeta Formiga: a flor que possuía asas”, como o fio original do tuíter, sendo agora “Violeta: O Voo Infinito da Flor” que a Su bem pinçou das próprias obras de Violeta, além de evocar o espírito de liberdade que é bem presente nas obras dela. Nome ótimo? Ok. Roteiro bem escrito? Ok. Inscrição no JABRE 2022 com a Suellen que morava em Serra Branca? Ok. Uma semana depois ela vem no zap com um misto de êxtase e incredulidade e um link do Instagram seguido da mensagem “Olha o que tu fez, Lau! Olha o que tu fez, Lau!”.
LABORATÓRIO JABRE DE ROTEIRO 2022
Finalmente consegui emburacar no JABRE, amigos. E essa edição não poderia ter sido mais épica. Além de abrir nosso projeto para vários roteiristas talentosíssimos pitacarem, também tivemos a honra do Rodrigo Sena apadrinhar nosso projeto, dando vários toques valiosíssimos que enriqueceram ainda mais o roteiro. No fim, nosso roteiro ficou em segundo lugar na seleção dos jurados do laboratório. E a gente teve o prestígio do JABRE validando esse projeto que já estava sendo gestado há anos.
Falando em validação, um breve parêntese aqui. Autossabotagem e síndrome de impostor são uma merda, né? Mesmo escrevendo desde 2006 e estudando academicamente roteiro desde 2017, só depois do JABRE que me senti um “roteiristas de verdade”. Não sejam tão centrados em validações externas, amigos. Nem nas internas, também. Só faça o que tem que ser feito. Ou não também, não sou bom de conselhos genéricos, desprezo coaches e não sou teu pai 😬.

É 2025.
De lá pra cá o projeto bateu na trave na Lei Aldir Blanc, pontuando bem em 2023. Quem encorpou bastante o projeto também foi Yasmin Formiga, uma das artistas visuais paraibanas mais influentes da atualidade. Sim, se você uniu os sobrenomes, Yasmin é da família de Violeta e topou não só ser a diretora de arte do documentário, como também performar alguns dos inúmeros poemas que irradiam por todo o roteiro.
Agora vocês tem acesso exclusivo ao roteiro na íntegra. Só para os assinantes do Fluxo. Apesar do roteiro já ter seus direitos protegidos na Biblioteca Nacional, não estamos expondo ele por ainda estarmos buscando financiamento pra execução. Leiam com carinho e cuidado.
leia agora — Violeta: O Voo Infinito da Flor.

Finalizando
Há anos trabalhamos nesse roteiro, ele rodou laboratório, foi submetido em vários editais e correu a boca miúda entre os envolvidos, mas nunca tinha sido visto por ninguém além dessas pessoas selecionadas. Como vocês puderam ver, a jornada dele é longa e ainda nem tá perto do final. Esse roteiro é só o começo. Muito obrigado por lerem a história em curso do projeto de documentário Violeta: O Voo Infinito da Flor. Nos veremos na próxima terça, ao meio-dia (sem falhar dessa vez! [espero]).








Que daora! Quero ver Violeta: o voo infinito da flor na Mostra Internacional de Cinema aqui em SP!